Aluga-se vende-se
Rosa nasceu de um anúncio na sessão de encontros românticos e ofertas eróticas de um jornal semanal. Moça comum de gestos comuns. Olhos assimétricos, é verdade. Mas nao há nada de incomum nisto. Incomum mesmo era aquela pretura toda que ela tinha na retina.
Nunca me encantaram os verdes, castanhos, azuis... já os pretos carregam esse tom de mistério. De carvão ameaçando fogueirar.
mas olhos pretos são tão...lugar comum!
Lugar comum?
Ah, eu habitaria feliz este lugar comum. Sem varanda ou piscina. Sem conforto, banheira ou balanço.
Viveria tranquilo entre a íris ou a córnea de Rosa. Passeando por cada filme, foto ou memória que ela visse. Deslizando olho adentro nos dias de êxtase e me dependurando em seus cílios em dias de choro.
Cada noite de sono seria uma gestação. Eu feto e Rosa mãe com sua placenta ocular. E cada manhã nascer. Sem cerimônia ou batismo, nascer pra ela.

4 Comments:
bem bonito isso, mariana.
welcome back, darling.
"nascer pra ela" que bonito isso =)
favor escrever mais. obrigada.
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